Eu quis falar sobre um filme muito bom que assisti semana passada. Ele chama-se The Help (não sei como vai chamar em português), mas conta sobre o sul dos EUA nos anos 50 e a vida das empregadas domésticas negras nos lares de famílias brancas (pra quem não sabe, o sul dos EUA sempre foi a favor da escravidão. Até hoje, é muito comum ver gente extremamente preconceituosa por lá). E gente, que filme bonito. Aborda um assunto bastante delicado, mas com muita leveza e pitadas de humor. Vc sai do cinema com ódio no coração contra qualquer preconceito. Eu saí do cinema pensando no quanto o preconceito é ruim, tanto para quem sente quanto para quem o sofre.
Eu sou morena e brasileira. Tenho curvas (leia-se bunda grande). E quer saber? TENHO ORGULHO. Aqui nos EUA, se vc não é loira/pele clara (e normalmente massarocada de tanta maquiagem) e magérrima (ok, no máximo com peitões) vc não está de acordo com o padrão. E eu acho TÃO LINDO não estar nos padrões, minha gente! Amo quem tem coragem de fugir as regras e ainda assim conseguir respeitar seu espaço e o espaço do próximo. Amo os homossexuais que seguem suas vidas como pessoas de bem, assim como amo os heterossexuais que seguem suas vidas de bem. O ponto todo em julgar alguém não está em regras pré definidas. Está em ver se vc faz o bem ao próximo e vive sua vida sem incomodar as outras pessoas. Se as pessoas seguem a máxima do "Não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com vc ou com alguém que vc ama" se aplica muito bem aqui.
Me sobe o sangue toda vez que eu me deparo com situações injustas. Explico. Aqui no trabalho, tenho um colega EXTREMAMENTE reservado (pra vcs terem idéia, ele trabalha aqui há uns 15 anos e ngm sabia onde ele mora, se tem filhos, se é casado, NADA) e extremamente competente. Mas extremamente mesmo, do tipo de pessoa que te enriquece só de conversar 5 minutos. Sempre extremamente cordial e um excelente colega. Pois bem. Até que um dia, recebemos um email do mesmo dizendo que durante algumas semanas ele trabalharia em horários alternativos. O motivo: Ele e o companheiro dele haviam adotado uma menina de 10 anos de idade. Juro gente, quase chorei de emoção. Fiquei tão feliz por eles, que estão realizando um sonho e pela menina, que vai ganhar uma família de pessoas boas e que cuidarão dela com todo o amor do mundo. Mas, pra me tirar da bolha cor-de-rosa que o email havia me envolvido, vem um engraçadão na minha mesa e comenta: "Porra, mas essa menina vai virar uma bandida! Onde já se viu, dois pais? Depois esse país tem psicopatas que atiram em todo mundo e ninguém sabe porquê..."
Juro, eu não sabia se eu dava um soco no baço do sujeito ou se eu ria da cara dele. Decidi olhar bem fundo nos olhos dele e disse: Vc, mesmo sendo criado por pais que estão casados até hoje tem a infelicidade de fazer um comentário desses. As chances que ela tem no mundo não são pré definidas pelo modelo familiar dela, mas sim por ela mesma e pelo respeito que ela tem com o mundo. O resto vem.
A discussão rolou mais um tempo, e ele veio tentar basear seu comentário na Bíblia. Respeito quem acredita, mas se formos basear maltratar e pré-conceituar pessoas com base na Biblia, eu prefiro não acreditar no que está escrito nela. Se eu tiver que maltratar e dizer que uma pessoa é perdida e que vai pro inferno por AMAR a seu jeito, eu prefiro não seguir o que está escrito ali. Pronto.
Eu tenho medo do mundo em que eu vou colocar um filho. Mas eu também tenho esperanças que este mesmo filho vai levar sua vida de forma honesta e respeitando as diferenças. Acredite no que quiser, faça o que bem entender, desde que não faça aos outros o que não gostaria que fizesse com ele. É só isso.
Eu sei que vai ter gente que não vai entender o que eu escrevi e que vai falar "aimeodeos, ela quer que todos virem homossexuais e ela também vai pro inferno e eu odeio ela". Pra isso, eu tenho dois comentários: Vc não entendeu poha nenhuma do que eu escrevi e segundo, me odeia então, entra na fila. Nem Jesus agradou a todos. Essa é a minha opinião e mesmo que vc não concorde, ela não vai mudar.
PS: afe, que revolta, haha. Mas é sério, preconceito me aborrece muito! desabafei! :)